Artigos Etiquetados :

democracia

deFEMde assina carta em defesa da mídia progressista e de esquerda

1024 683 Rede Feminista de Juristas

A “Carta aberta em defesa do fortalecimento da mídia progressista e de esquerda frente à escalada fascista” foi lançada recentemente por veículos de comunicação e comunicadores comprometidos com a luta antifascista, e a Rede Feminista de Juristas – deFEMde é uma das entidades signatárias do documento. A mobilização pretende dar visibilidade à luta pela democratização da comunicação e reivindica investimento no ecossistema de mídias de esquerda e progressistas. Leia o documento na íntegra a seguir.

Nós, veículos de comunicação e comunicadores historicamente comprometidos com a luta antifascista, a justiça social e a construção de um projeto popular de democracia, dirigimo‑nos ao público em geral e, especialmente, a todas e todos que contribuem com a luta progressista, para expressar nossa preocupação com a conjuntura atual e com o papel da comunicação neste momento decisivo.

O mundo assiste à rearticulação de forças de extrema direita e a um processo de fascistização que se espalha por diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Donald Trump anunciou neste mês (setembro de 2025) a intenção de classificar o movimento antifascista como “organização terrorista”: um gesto que visa criminalizar movimentos de oposição e que ecoa práticas autoritárias do passado. Na Europa, partidos ultranacionalistas e xenófobos têm aumentado sua representação no Parlamento Europeu e conquistado vitórias em eleições nacionais, pressionando governos a adotarem agendas regressivas — e o mesmo se dá no contexto brasileiro. Esses episódios mostram que a agenda fascista não é uma ameaça distante: trata‑se de uma tendência global, que alimenta o racismo, o supremacismo e a violência contra povos e minorias.

No Brasil, esse cenário se soma a um processo de concentração midiática que sufoca vozes alternativas e dificulta o acesso da população a informações plurais. Como afirmou Elmar Bones, fundador do Jornal JÁ, durante evento em comemoração aos 40 anos do periódico, “esses pequenos jornais, esses pequenos projetos, têm uma importância vital porque garantem a diversidade e a pluralidade das opiniões”. Bones enfatizou que, se não fossem os esforços de veículos independentes, viveríamos uma situação de discurso único, já que “os grandes veículos hoje estão alinhados em uma espécie de discurso único”. A editora‑chefe do Brasil de Fato no Rio Grande do Sul, Katia Marko, reforçou a ideia ao lembrar que o jornalismo independente é uma “batalha cotidiana” para construir uma narrativa séria e relevante; ela destacou que, enquanto a grande imprensa criminaliza movimentos sociais e a pobreza, mídias populares possibilitam que essas vozes marginalizadas sejam ouvidas.

Embora exista um mosaico de rádios comunitárias, web TVs, jornais locais e podcasts progressistas espalhados pelo país, tais iniciativas operam com poucos recursos, dependem de trabalho militante e/ou lutam para sobreviver em um ambiente dominado por conglomerados de mídia. Em um momento de disputa ideológica tão intensa, a falta de apoio financeiro, de audiência e de infraestrutura enfraquece a capacidade dessas mídias de disputar corações e mentes e de oferecer contrapontos às narrativas reacionárias.

Enquanto as mídias independentes do campo progressista e de esquerda enfrentam dificuldades permanentes para garantir sustentabilidade e ampliar seu alcance, outros programas, alheios a esse ecossistema, são agraciados com a presença de aliados políticos e alcançam grande audiência ao oferecer, simultaneamente, visibilidade a narrativas conservadoras, reacionárias e excludentes.

Um exemplo emblemático é o do podcast Três Irmãos, que desde o ano passado vem crescendo consideravelmente e contou recentemente com a presença de diversas figuras ligadas ao campo progressista. Em 2023, o programa foi palco de declarações do deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO), que afirmou que países da África viveriam sob “ditaduras” porque a democracia não conseguiria prosperar em sociedades africanas e brasileiras, classificando seus povos como destituídos de “capacidade cognitiva para entender entre o bom e o ruim, o certo e o errado”. Em seguida, um dos apresentadores reforçou a fala do deputado ao dizer: “Sabia que tem macaco com QI de 90? 72 o QI na África. Não dá para a gente esperar alguma coisa da nossa população”. A Procuradoria-Geral da União foi acionada pelo Ministério da Igualdade Racial para investigar a gravidade da declaração. 

Além disso, o podcast em questão é patrocinado por uma escola preparatória de carreiras policiais que utiliza como logomarca a caveira do Justiceiro. Criado pela Marvel em 1974, o personagem Frank Castle é um vigilante que age fora da lei, usando a violência como forma de impor sua visão de justiça. Com o tempo, o símbolo foi apropriado por setores ligados à segurança e ao armamentismo, sobretudo em ambientes de extrema direita. Nos Estados Unidos, o emblema também ganhou espaço em instituições e manifestações. A polícia do Kentucky chegou a estampar a caveira em viaturas oficiais, e o símbolo esteve presente em Charlottesville, em 2017, durante uma marcha de nacionalistas brancos marcada pela exibição de referências fascistas e nazistas. O próprio criador, Gerry Conway, já afirmou que considera “irônico e equivocado” o uso da caveira por policiais e militares, justamente porque o personagem representa a falha do sistema legal e a recusa em cumprir a lei. Essa apropriação foi tão problemática que chegou a gerar reações institucionais: em 2020, a Polícia Civil de São Paulo divulgou uma orientação para que seus agentes retirassem o emblema de seus uniformes, ressaltando que a caveira não representa os valores da corporação.

Quando um programa dessa natureza, ao mesmo tempo, cresce notavelmente por atrair a presença de figuras progressistas, não se trata apenas de diversidade de vozes. A questão central é: quais espaços e narrativas, ao final, se consolidam e ganham força?

Não nos cabe determinar onde cada parlamentar, militante ou comunicador deve estar. O que se coloca, diante da conjuntura atual, é uma questão de responsabilidade ética: refletir sobre quais escolhas contribuem para o fortalecimento de um debate público comprometido com valores democráticos e populares.

Mais do que ampliar audiências em ambientes adversos, é fundamental investir no fortalecimento de um ecossistema próprio de mídias de esquerda e progressistas. Conclamamos governos, movimentos sociais, sindicatos, partidos e cidadãs e cidadãos a apoiar, de forma concreta, os veículos populares e independentes — seja por meio de financiamento, de políticas públicas de comunicação, de formação de novos comunicadores ou da valorização cotidiana desses canais. A Constituição Federal já reconhece a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de comunicação; transformar esse princípio em prática efetiva é condição indispensável para uma democracia plural e substantiva.

A escalada fascista global exige que a luta antifascista esteja à altura dos desafios. Isso implica enfrentar o autoritarismo onde quer que se manifeste, inclusive nas esferas da cultura e da comunicação. Em vez de alimentar plataformas que transformam a polêmica em capital, é essencial que lideranças e criadores de conteúdo priorizem e fortaleçam o ecossistema de mídias progressistas e de esquerda. Nesse caminho, a pluralidade de opiniões, a defesa dos direitos humanos e o combate ao racismo permanecem como princípios inegociáveis.

Com indignação e compromisso,

  • FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)
  • DiraCom (Direito à Comunicação e Democracia)
  • Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará (Sindjorce)
  • Sindicato de Jornalistas no Estado do Pará (SINJOR-PA)
  • Observatório Paraibano de Jornalismo
  • Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
  • Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – Abraço Brasil
  • CUT Brasil
  • Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
  • Movimento Brasil Popular
  • Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF)
  • Associação Cultural José Martí RS
  • Le Monde Diplomatique Brasil
  • Brasil de Fato
  • Brasil de Fato (RS)
  • Mídia Ninja
  • Fórum 21 – Portal das Esquerdas
  • Voz Trabalhadora
  • Barão de Itararé (Centro de Estudos da Mídia Alternativa)
  • Ciência na Rua
  • Ludopédio
  • Rádio e TV Atitude Popular
  • Rede Mídia Livre
  • Jornal Nota
  • Clio Operária
  • Membrana Literaria
  • JP Agenda
  • Blog da Agenda Cultural do Recife
  • Coletivo de Comunicadores Pão com Ovo
  • Meteoro Brasil
  • Folha Democrata
  • Revista Rasura
  • Rede de Mídias ContraFluxo
  • Programa Palavras NO AR (PE)
  • Medo e Delírio em Brasília (Podcast)
  • Ciência Suja (Podcast)
  • Podcast Tecnopolítica / Sérgio Amadeu
  • Farofeiros Cast
  • Viracasacas Podcast
  • Camarote da República
  • As Cunhãs Podcast
  • MIDCast Política
  • Brasil Parasita
  • Portal Desacato
  • Podcast Caverna do Morcego
  • Podcast Projeto É Verdades
  • Budejo Podcast
  • Ornitorrinco Zine
  • Newsletter Boombop Indica
  • Kenji (@normose)
  • Judz (@nietzsche4speed)
  • Giuliana Mordente | Andanças Educativas (@andancaseducativas)
  • Thiago Guimarães (@orathiago)
  • Camarada Janderson (@camaradajanderson)
  • PJ Brandão (@hqsemroteiro)
  • BIANA (@bianaaf)
  • André Campedelli (@AndreCampedelli)
  • Dinelli (@1dinelli)
  • Pedro Zambarda – Drops de Jogos
  • Guilherme Prado (@umguilhermeprado)
  • Mariluce Moura (Jornalista, diretora-presidente do Instituto Ciência na Rua e criadora da revista Pesquisa Fapesp)
  • Hélio Doyle (Jornalista, professor aposentado da UnB, ex-presidente da EBC e consultor de comunicação e política)
  • Nilton Viana (Jornalista, ex-editor-chefe e um dos fundadores do jornal Brasil de Fato)
  • Carlos Tibúrcio (jornalista, editor do Fórum 21 – Portal das Esquerdas, diretor da Fatoflix e co-fundador do Fórum Social Mundial)
  • Katia Marko (editora-chefe do Brasil de Fato RS)
  • Helena Martins (Professora efetiva do curso de Comunicação Social da UFC)
  • Carmélio Reynaldo Ferreira (Professor de Radiojornalismo na UFPB, Coletivo Cotonetes)
  • Tarcísio Aquino (Secretário Geral do Sindjorce)
  • Luana Lima (Sindjorce)
  • Priscila Monteiro Pereira (Mídia Ninja)
  • Ivan Moraes Filho (Jornalista, ex-vereador PSOL – Recife)
  • Marília Domingues Travassos (JP Agenda)
  • Marcia Marques (Portal Paraíba Feminina)
  • Leonardo Preto Echeverria (Coletivo de Comunicadores Pão com Ovo; Cpers sindicato; ACJM RS)
  • Deodato J Ramalho Junior (Mídia Livre)
  • Leandro Kovacs (Jornalista / Portal Drops de Jogos)
  • Letícia Oliveira (Editora do El Coyote)
  • Nonato Lima (Radio Livre)
  • Márcia Luz (Comunicadora popular/ Programa Palavras NO AR (PE))
  • Hildebrando Silva de Andrade (Jornalista; MST)
  • Aiano Bemfica Mineiro (Comunicador social, cineasta e pesquisador)
  • Alline Dauroiz (Jornalista)
  • Marcelo Dantas (jornalista e defensor do Direito Humano à Comunicação)
  • Mariana Reis (jornalista e doutora em comunicação pela UFPE)
  • Carol Lima (Comunicadora Popular – Movimento Brasil Popular)
  • Alex Capuano (Comunicação FNDC; CUT Brasil)
  • Douglas Melo (CTB)
  • Nélson Serathiuk (Jornal Fil Rouge; Paraense e vereador socialista em Lausanne – Suíça)
  • Geremias dos Santos (Abraço Brasil)
  • Ravi Santana (Tapera Taperá)
  • Renata Maffezoli (Jornalista)
  • Luiz Antonio Ribeiro (editor Jornal Nota)
  • Kamila Fernandes (Jornalista / As Cunhãs Podcast) –
  • Rodrigo Tembiú (Revista Rasura / Coletivo Tembiú)
  • Sérgio Homrich (Informa Luta)
  • Carol Pombo (SINJOR-PA) – Victor de
  • Leonardo Figols (Portal Ludopédio)
  • Alice Andrioli (Brasil Parasita)
  • Poli Lopes (Jornalista)
  • Semyramys Monastier (Membrana Literária)
  • Bárbara Scarambone Leal (Boombop Indica)
  • Fernando Silva de Assunção (Jornalista, Rede de Mídias ContraFluxo)
  • Bruno Guerra (Canal Guilherme Prado)
  • Alice Jezilia Almeida Guilherme (Voluntária – FNDC)

    Apoiadores
  • MMM (Marcha Mundial das Mulheres)
  • SINTECT-SC
  • Sind-UTE/MG
  • Sintraseb – Sindicato Único dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Blumenau
  • CMC (Centro Mulheres do Cabo)
  • Coletivo Tembiú
  • Abong (Associação Brasileira Organizações Não Governamentais)
  • Instituto Soma Brasil
  • Associação nacional de travestis è transexuais (ANTRA)
  • AMUM (Associação Mulheres Unidas de Massambaba)
  • Instituto Inarru
  • Rede Feminista de Saúde
  • Rede Feminista de Juristas – deFEMde
  • Cunhã Coletivo Feminista
  • Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas: RENFA
  • SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia
  • Cpers sindicato
  • Sintsef (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Estado do Ceará)
  • Articulaç ã o Brasileira de Gays, Bissexuais e Transmasculinidades (ARTGAY)
  • Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
  • Associação Cultural e Agrícola dos Jovens Ambientalista da Paraíba (ACAJAMAN PB)
  • Comunidade Impacto
  • KOINONIA Presença Ecumênica e Serviços
  • PAD – Processo de Articulação e Diálogo
  • Genaro Ieno (escritor)
  • Simone Alaíde da Silva (Instituto Inarru)
  • Admirson Medeiros Ferro Júnior (Secretário Nacional de Economia Solidária CUT)
  • Thiago Cesar Andrade (Núcleo Tecnológico do MTST)
  • Luiz Alberto Garcia (SINTECT-SC)
  • Noelly de Castro Silva (MMM / PT)
  • Vânia Maria Lopes Venâncio (PT)
  • Ruben Alfredo de Siqueira (Comissão Pastoral da Terra / Bahia – CPT-BA)
  • Sarah Pusch (ADUF)
  • Karine de Oliveira Gonçalves (Instituto Soma Brasil)
  • Fran Ribeiro (SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia)
  • Sandra Jacinto (Sindicato dos Bancários do Ceará)
  • José Felipe dos Santos (ARTGAY)
  • Myrian Alexandre Ribeiro (AMUM)
  • Rosaura de Oliveira Rodrigues (Rede Feminista de Saúde)
  • Maria Beatriz de Oliveira (Rede Feminista de Saúde)
  • Luiz de Souza Filho (Sintsef)
  • Ana Cláudia de Oliveira Ananias (Comunidade Impacto)
  • Mariana Lo Prete (pesquisadora)
  • José do Carmos Alves Siqueira (pesquisador)
  • Euripedes Cipriano Mota (PT)
  • Patrícia Valim (Universidade Federal da Bahia/Rede Brasileira de Mulheres Cientistas)
  • Bruna Lays Freiberger (Sintraseb)
  • Joanilde Pores Pereira (Sindicato dos Servidores Públicos Federais-SINDSEP)

deFEMde repudia ataques de Bolsonaro ao Judiciário

640 360 Rede Feminista de Juristas

A Rede Feminista de Juristas – deFEMde aderiu ao manifesto “Garantir a liberdade do Judiciário é defender o Estado Democrático de Direito“, lançado nesta terça-feira. Entidades e organizações da sociedade civil repudiaram os recentes ataques de Jair Bolsonaro contra o Judiciário e pediram que as instituições defendam o Estado Democrático de Direito.

Para as organizações, a postura de Bolsonaro “avilta a independência dos três poderes” e pode configurar crime de responsabilidade. O manifesto diz ainda que o pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes é “infundado e autoritário” e tem como objetivo “instigar a instabilidade institucional”.


A gravidade dos ataques em momento frágil da nossa história demonstra despreocupação por parte da autoridade máxima do país frente aos nossos verdadeiros e mais prementes desafios, como o enfrentamento à pandemia de Covid-19 e suas consequências” diz o documento.

As signatárias também se mostraram solidárias às instituições que compõem a base da democracia brasileira e “conclamam os demais poderes a cumprirem os seus devidos papéis constitucionais e legais na defesa do Estado Democrático de Direito”.

Ameaças à realização das eleições de 2022, a defesa do voto impresso e o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes foram os últimos atos de Bolsonaro que geraram mais uma crise institucional em meio à pandemia, com uma economia desestabilizada e recordes de desemprego e miserabilidade no Brasil.

Promovido pelo Pacto pela Democracia, o manifesto é assinado por cerca de 50 entidades: Associação Brasileira de Imprensa – ABI, ACT Promoção da Saúde, Aliança Nacional LGBTI+, Associação Alternativa Terrazul, Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da Juventude, Associação Redes de Desenvolvimento da Maré, Central de Cooperativas Unisol Brasil, Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL, Cidades Afetivas, Conectas Direitos Humanos, Centro de Trabalho Indigenista – CTI, Diversitas/FFLCH/USP, Elas no Poder, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais – FBOMS,  FFLCH USP, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Frente Nacional de Mulheres na Política, Fundação Tide Setubal, Geledés Instituto da Mulher Negra, Goianas na Urna, Ideas Assessoria Popular, Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial-Baixada Fluminense-RJ, InPACTO, Instituto Alziras, Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD, Instituto Marielle Franco, Instituto de Promoção e Proteção de Direitos Humanos, Instituto Physis – Cultura e Ambiente, Instituto Pro Bono, Instituto Pensamentos e Ações para defesa da Democracia – IPAD, Instituto de Políticas Pretas e Advocacy – IPPA, Kurytiba Metropole, Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ – LADIH, Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Mobis, Movimento Acredito, Neoliberais Brasil, Observatório do Marajó, Observatório para Qualidade da Lei, Open Knowledge Brasil, Operação Amazônia Nativa, Oxfam Brasil, ponteAponte, Rede Brasileira de Conselhos – RBdC, Rede Feminista de Juristas – deFEMde, Transparência Brasil, Transparência Capixaba, Transparência Eleitoral Brasil e WWF Brasil.

deFEMde participa de manifesto por transparência socioambiental

1024 682 Rede Feminista de Juristas

Texto originalmente publicado por Transparência Brasil.

Para marcar a Semana Mundial do Meio Ambiente, 35 organizações da sociedade civil publicam, nesta quarta-feira (9/06/2021), o manifesto “Sem transparência, não há sustentabilidade”. As entidades signatárias exigem que os órgãos de controle (Tribunais de Contas, Controladorias e Ministérios Públicos) atuem incisivamente na fiscalização e punição dos responsáveis.

Segundo o documento, órgãos federais e estaduais descumprem de forma sistemática dispositivos das leis federais, como as leis de Transparência Ambiental (10.650/2003) e de Acesso à Informação (12.527/2011). A conclusão parte da análise de cinco relatórios produzidos em 2020 e 2021 por organizações que atuam na área socioambiental e de transparência.

O manifesto aponta seis problemas de acesso a informações na área socioambiental:

  • Falta de produção de dados necessários ao controle social da execução de políticas públicas;
  • Falta de atualização de dados disponíveis e interrupção da produção de séries históricas;
  • Transparência ativa deficitária;
  • Descumprimento da Lei de Acesso à Informação;
  • Descentralização de dados em múltiplas fontes nem sempre consistentes entre si;
  • Descumprimento da Política de Dados Abertos.

As organizações que assinam o texto alertam que as falhas bloqueiam o desenvolvimento da ciência, prejudicam o desenvolvimento econômico e inviabilizam a participação social da política ambiental por jornalistas, sociedade civil e pelos próprios povos tradicionais afetados por ela.

A ação foi iniciada no âmbito do projeto Achados e Pedidos, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Transparência Brasil e Fiquem Sabendo. Desde 2020, o projeto faz o monitoramento do acesso a bases de dados e informações socioambientais. Os principais levantamentos do Achados e Pedidos sobre o tema estão nesta reportagem.

A elaboração do texto contou com a contribuição da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA) e Instituto Socioambiental (ISA).

Assinam:

Transparência Brasil
Fiquem Sabendo
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)
350.org Brasil
Aliança Nacional LGBTI+
Amazônia Real
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
ARTIGO 19
Associação Civil Alternativa Terrazul
Coalizão Evangélicos Pelo Clima
Conselho Indigenista Missionário
Conselho Pastoral dos Pescadores
Engenheiros Sem Fronteiras – Brasil
Fundação Avina
Fundação Grupo Esquel Brasil
Fundação Tide Setubal
GESTOS– Soropositividade, Comunicação e Gênero
Goianas na Urna
Greenpeace
Instituto Centro de Vida
Instituto de Governo Aberto
Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – IMAFLORA
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Instituto Hori – Educação e Cultura
Instituto Socioambiental – ISA
Kurytiba Metropole
Movimento Acredito
Movimento Nossa BH
Nossa Casa Comum
Observatório para qualidade da lei
Open Knowledge Brasil
ponteAponte
Projeto Saúde e Alegria
Rede Feminista de Juristas – deFEMde
Rede pela Transparência e Participação Social

deFEMde adere à campanha Bolsonaro Quer Te Espionar

1024 683 Rede Feminista de Juristas

A Rede Feminista de Juristas – deFEMde aderiu à campanha Bolsonaro Quer te Espionar, lançada nesta quarta-feira. O movimento solicita ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Justiça Federal a suspensão de licitação para a compra de serviços ilegais de espionagem, constante no edital 03/21 do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A licitação, no valor de R$ 25 milhões, ganhou visibilidade a partir de reportagens que apontaram o envolvimento direto de Carlos Bolsonaro em articulações para exclusão do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no processo.

O procedimento já tinha sido denunciado ao Tribunal de Contas da União por organizações da sociedade civil, por representação do Ministério Público junto ao TCU e por ação popular movida pelo senador Alessandro Vieira junto à Justiça Federal. A ação popular foi distribuída à 2ª Vara Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal. Todas as iniciativas citadas estão tramitando e aguardando apreciação.  

Para barrar o pedido de compra dos serviços, as entidades pontuam a violação ao direito à privacidade e intimidade, a ausência de interesse público da solicitação e as especificações genéricas presentes na licitação, “para evitar que a sociedade saiba o que exatamente está sendo comprado, e isso também é ilegal”. Por fim, pontuam que o governo não pode ter o poder de monitorar os cidadãos e cidadãs sem decisão judicial.

No site Bolsonaro Quer te Espionar, é possível enviar um e-mail à Ministra Ana Arraes, do TCE, e à 2ª Vara Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal.. A opção foi disponibilizada com o objetivo de “estimular uma resposta rápida e efetiva o suficiente para impedir o prosseguimento de uma licitação que pode ter graves consequências para a democracia brasileira”.

Nós levamos nossa privacidade e nosso direito à intimidade muito a sério, e não queremos viver em um Brasil que nos vigia e nos fiscaliza, que gasta preciosos recursos públicos para perseguir adversários políticos do governo da vez”, é dito em parte do texto disponibilizado no site, a ser enviado como mensagem aos órgãos.

33 entidades aderiram à campanha: Abong, Ação Educativa, Acredito, Católicas pelo Direito de Decidir, CENPEC, Centro de Promoção da Saúde, Coalizão Direitos na Rede, Conectas Direitos Humanos, Delibera Brasil, Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), Fundação Tide Setubal, Goianas na Urna, Greenpeace Brasil, IDDD, Inesc, Iniciativa Negra Por uma Nova Política Sobre Drogas, Instituto Alana, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Instituto Marielle Franco, Instituto Nossa BH, Instituto Pensamentos e Ações para Defesa da Democracia (IPAD), Judeus pela Democracia, Laboratório Brasileiro de Cultura Digital (LabHacker), Open Knowledge Brasil, Oxfam Brasil, ponteAponte, Rede Brasileira de Conselhos (RBdC), Rede Conhecimento Social, Rede Feminista de Juristas – deFEMde, Rede Justiça Criminal, Transparência Brasil, Transparência Capixaba e WWF Brasil.