Ato denuncia descaso nos serviços e mortes na UPA Vergueiro
https://defemde.ong.br/wp-content/uploads/2025/08/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-08-07-as-10.05.40_75e4b8af-1024x1020.jpg 1024 1020 Rede Feminista de Juristas Rede Feminista de Juristas https://secure.gravatar.com/avatar/cefd8ce79beb23c6586c1aaba13cb67f0845672b4726e7e29b7a89eb3b63c6ea?s=96&d=mm&r=gInformações encaminhadas pelo Movimento Popular de Saúde do Centro
Usuários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vergueiro e o Movimento Popular de Saúde do Centro promoverão, no próximo dia 9 de agosto (sábado), um protesto em frente ao equipamento municipal de saúde, localizado na Rua Vergueiro, nº 613 – Liberdade, a partir das 10:00. A mobilização cobra melhorias nos serviços da unidade, gestão direta e um novo hospital público na região central de São Paulo.
A UPA Vergueiro é hoje a principal responsável pelo atendimento emergencial de saúde em bairros como Bela Vista, Santa Cecília, Bom Retiro, Liberdade, Sé e Aclimação. O ato “UPA Vergueiro – UPA Vergonha” ocorre em meio a denúncias sobre irregularidades, má prestação de serviços de saúde e suspeitas de negligência médica em óbitos ocorridos na unidade.
A gestão da UPA Vergueiro é terceirizada à Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), uma Organização Social de Saúde (OSS) que atualmente gere diversos equipamentos públicos na região central. A AFNE tem histórico de denúncias trabalhistas, de má administração e de envolvimento em esquemas de corrupção em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A mobilização também ocorre após denúncia da comunidade local junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, feita no dia 18 de julho. A representação tem como autores o Movimento Popular de Saúde do Centro e membros do Conselho Gestor da UPA Vergueiro, eleitos pelos usuários.
A peça relata períodos de espera de até sete horas para um atendimento na unidade emergencial e más condições das instalações básicas. Também há relatos de atraso no salário de trabalhadores e de quadro incompleto, com vacância de médicos, psiquiatras e sobretudo enfermeiros, descumprindo o contrato com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Ainda, a denúncia no MP cobra explicações sobre as circunstâncias da morte de uma senhora de 82 anos na UPA Vergueiro, em dezembro de 2024. O óbito em decorrência de um edema pulmonar ocorreu após a paciente passar por dois atendimentos na unidade em menos de 24 horas e ter recebido dois diagnósticos equivocados.
A UPA Vergueiro iniciou suas atividades em dezembro de 2021. A unidade, que à época teria capacidade para atender 15 mil pessoas por mês, hoje atende em média menos de 10 mil. A evasão de pacientes na UPA é alarmante, com média mensal de 15% e picos de 21% de pessoas que desistem de esperar.
“A população do centro está desprotegida sem um hospital público de referência na região da Sé e Santa Cecília, especialmente desde o fechamento do Hospital Bela Vista em 2024, que tem sobrecarregado ainda mais a UPA Vergueiro”, explica Marco Ribeiro, representante do segmento de usuários no Conselho Gestor da UPA Vergueiro. “Existem casos de pessoas que foram à UPA e foram maltratadas, pessoas que cansaram de esperar e foram embora e outras que morreram na UPA com suspeita de erro médico. A AFNE tem provado sua total falta de respeito com a saúde do povo”, completou Ribeiro.
A Rede Feminista de Juristas soma esforços aos movimentos que coordenam o ato, e se coloca à disposição para quaisquer mobilizações necessárias para garantir a prestação adequada de serviços de saúde, que se deterioram a cada dia na gestão de Ricardo Nunes.





